quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ao Findar da Derrota


Quando iniciamos a jornada na angra dos sonhos, nossa nau, com os remos arvorados, navega rumo ao cabo das incertezas. Entre nós, ainda há os que ousem dizer que a derrota fora traçada pelo próprio destino. Do oceano das nossas aspirações, no alvorecer da Carreira Naval, de súbito nos emerge a ilusão de uma derrota pré-determinada pelos interstícios e promoções concomitante à errônea ideia da estabilidade monótona endossada por um serviço repetitivo e falto de entusiasmo.

Contrariamente, devemos ressaltar que o nosso ofício a ninguém é imposto. Quando Marinheiros se lançam ao mar, fazem-no por pura paixão e, uma vez a bordo, qualquer Marujo deveria decerto consolidar tal sentimento, até porque, os mares do comodismo poderiam ser deveras tortuosos, tornando assim a nossa comissão sobremaneira longa e enfadonha. Melhor seria, então, que tivéssemos perdido o nosso navio!

Mas, se somos Marinheiros engajados nas fainas de bordo e afirmamos, com afinco, a nossa Vocação Militar Naval, com o passar dos anos a experiência vem e nos traz merecidas medalhas e distintivos que, após três décadas ou mais, culminarão no impreterível fim da nossa derrota.

Eis que nós, Homens do Mar, vê-mo-nos ora prestes a atracar num derradeiro cais que, apesar de não nos parecer estranho ou desconhecido, não nos externa garantia alguma de que será o porto seguro ao nosso merecido aposento.

Todavia, passados esses tantos anos de bons serviços prestados, eis o reconhecimento do dever cumprido. É chegada a hora de guardar a farda. E estarão sempre na memória as boas lembranças, os nossos companheiros de jornada, os portos visitados e os amores cultivados.

Porém, o Velho Marinheiro há que ter na consciência que ainda não é contíguo o seu fim, apenas é tempo de mudança e de experimentar novas dedicações, ou ainda, hora de ensejar as antigas aspirações abreviadas pelo ininterrupto serviço. Com sorte, para apoiá-lo na reserva e adiante, restar-lhe-ão aqueles que por ele foram bem cuidados e apoiados.

Contudo, se houver em nós ainda o anseio de para a ativa regressar e conhecimentos vários compartilhar, a nossa Marinha tem tido, sim, bom grado em lançar mão da experiência de seus veteranos nos mais variados serviços, inclusive na formação e instrução dos jovens aprendizes marinheiros, bem como no aperfeiçoamento dos graduados.

Marinheiro! Dada por finda a tua derrota, sabe que foste, de alguma forma, parte importante para o desenvolvimento da tua tão valorosa instituição, tem sempre em mente que o teu navio jamais poderia ter singrado mares sem ti. Portanto, leva contigo o orgulho e a satisfação por teres cumprido tua Missão!

Marlon M4

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