domingo, 10 de julho de 2011

Quando eu era Adolescente...


...eu não compreendia o poema de Mario Quintana, melhor seria dizer que eu nem mesmo sabia que era dele - apesar de pensar que o entendia na época -. Seus versos me fascinaram por uma dezena e meia de anos.

Por isso, até hoje - dia em que rasguei -, guardei o amarelado rascunho manuscrito pela Luciana, irmã do Wellington, que, num certo dia, tomou o meu caderno e escreveu aquilo para mim. O caderno, por sua vez, jaz em algum aterro, mas a página eu salvei.

Luciana, menina mais velha, que vivia a apertar as minhas bochechas com tanta violência que a apelidava de Felícia, uma infante alusão à personagem do desenho animado "Tiny Toon" - da nossa época -.

Como me identificava com os versos de Quintana naquela época! Começava a trabalhar, terminava o primeiro grau, longe dos meus pais, muitos sonhos e inúmeras frustrações. Indisciplinado, revoltado e prepotente, não fazia a mínima ideia do tanto que eu caminharia até aqui - hoje -.

Mas, o mais legal é saber que - hoje - eu também não tenho, se quer, ideia da caminhada que ainda me resta! Por isso - apesar de ter rasgado -, ainda me identifico com o texto. No entanto, sou menos prepotente e mais disciplinado, bem como a minha revolta deu lugar a uma plena aceitação. Agradeço, por isso, aos tombos que tomei e aos botes que vida me deu.

Marlon M4

O adolescente

A vida é tão bela que chega a dar medo.
Não o medo que paralisa e gela,
estátua súbita,
mas

esse medo fascinante e fremente de curiosidade que faz
o jovem felino seguir para a frente farejando o vento
ao sair, a primeira vez, da gruta.

Medo que ofusca: luz!

Cumplicemente,
as folhas contam-te um segredo
velho como o mundo:

Adolescente, olha! A vida é nova...
A vida é nova e anda nua
- vestida apenas com o teu desejo!

Mario Quintana
(1906-1994)
...