quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Arnaldo Jabor, o twitter e outras mídias sociais


Nessa semana me dei conta de que o Arnaldo Jabor - ou o seu fake - havia desaparecido da minha lista no twitter. Fiquei triste, pois adorava receber os links para as suas falas no site da CBN.
Então, resolvi saber o porquê do seu desaparecimento. Depois de ler algumas coisas pela internet, resolvi compartilhar por aqui também.
Aposto que todos já leram, ou ouviram falar de textos atribuídos ao Jabor pela rede afora. Creio, também, que muitos sabem que ele nega a autoria da maioria desses textos. Pois é, eis um texto retirado do portalodia.com:

Arnaldo Jabor detona o Twitter, Orkut e outras mídias modernas

De acordo com Jabor, esses instrumentos tem contribuído para a difusão de textos falsamente atribuídos a ele, os quais, muitas vezes, acabam por denegrir sua imagem.

O jornalista Arnaldo Jabor assinou um artigo no jornal O Estado de São Paulo no qual critica com veemência algumas famosas ferramentas do mundo virtual, especificamente o Twitter, o Orkut e os Blogs.

De acordo com o crítico, esses instrumentos tem contribuído para a difusão de textos falsamente atribuídos a ele, os quais, muitas vezes, acabam por denegrir sua imagem.

No artigo, intitulado "Blogs, twitter, orkut e outros buracos", ele fala também que os brasileiros são excessivamente orientados por essas novas mídias, o que contribui para o crescimento da ignorância, culminando com a livre atuação e impunidade de políticos corruptos.

Arnaldo Jabor é cineasta, crítico e escritor.

Leia o artigo de Arnaldo Jabor na íntegra:

- Não estou no “twitter”, não sei o que é o “twitter”, jamais entrarei neste terreno baldio e, incrivelmente, tenho 26 mil “seguidores” no “twitter”. Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro da web. Ou buscamos a exposição total para ser “celebridade” ou usamos esse anonimato irresponsável com nome dos outros. Tem gente que fala para mim: “Faz um blog, faz um blog!” Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais... Jamais farei um blog, este nome que parece um coaxar de sapo-boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo no saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.

Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões “online” e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.

O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação “em rede” para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas online.

Quero sossego, mas querem me expandir, esticar meus braços em tentáculos digitais, meus olhos no “google”, (“goggles” – olhos arregalados) em órbitas giratórias, querem que eu seja ubíquo, quando desejo caminhar na condição de pobre bicho bípede; não quero tudo saber, ao contrário, quero esquecer; sinto que estão criando desejos que não tenho, fomes que perdi. 

Estamos virando aparelhos; os homens andam como robôs, falam como microfones, ouvem como celulares, não sabemos se estamos com tesão ou se criam o tesão em nós. O Brasil está tonto, perdido entre tecnologias novas cercadas de miséria e estupidez por todos os lados. A tecnociência nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas vivas, chips, pílulas para tudo, enquanto a barbárie mais vagabunda corre solta no País, balas perdidas, jaquetas e tênis roubados, com a falsa esquerda sendo pautada pela mais sinistra direita que já tivemos, com o Jucá e o Calheiros botando o Chávez no Mercosul para “talibanizar” de vez a América Latina. Temos de ‘funcionar’ – não viver. Somos carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa. Assistimos a chacinas diárias do tráfico entre chips e “websites”.

ESCRITORES FANTASMAS

O leitor perguntará: “Por que este ódio todo, bom Jabor?” Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos. Mas estou com raiva por causa dos textos apócrifos que continuam enfiando na internet com meu nome.

Já reclamei aqui desses textos, mas tenho de me repetir. Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de e-mails me elogiando pelo que eu “não” fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam – “Teu artigo na internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro...’”

“Não fui eu...”, respondo. Elas não ouvem e continuam: “Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ‘Tenho horror à mulher perfeitinha. Acho ótimo celulite...’” Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: “Ah... É teu melhor texto...” – e vão embora, rebolando, felizes.

Sei que a internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar. Mas a democracia também libera a idiotia. Deviam inventar um “antispam” para bobagens.

Vejam mais o que “eu” escrevi: “As mulheres de hoje lutam para ser magrinhas. Elas têm horror de qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba!”... Luto dia e noite contra cacófatos e jamais escreveria “cós acaba!”. Mas, para todos os efeitos, fui eu. Na internet eu sou amado como uma besta quadrada, um forte asno... (dirão meus inimigos: “Finalmente, ele se encontrou...”)

Vejam as banalidades que me atribuem:

“Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!”
Ou: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!”

Ainda sobre a mulher: “São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades.”
Há um texto bem gay sobre os gaúchos, há mais de um ano. Fui “eu”, a mula virtual, quem escreveu tudo isso. E não adianta desmentir.

Esta semana descobri mais. Há um texto rolando (e sendo elogiado) sobre “ninguém ama uma pessoa pelas qualidades que ela tem” ou outro em que louvo a estupidez, chamado “Seja Idiota!”...

Mas o pior são artigos escritos por inimigos covardes para me sujar. Há um texto de extrema direita, boçal, xingando os brasileiros, onde há coisas como: “Brasileiro é babaca. Elege para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari. Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada, não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo. 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como ‘aviãozinho’ do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora... O brasileiro merece! É igual a mulher de malandro – gosta de apanhar...”

E o pior é que muita gente me cumprimenta pela “coragem” de ter escrito esta sordidez.

Ou seja: admiram-me pelo que eu teria de pior; sou amado pelo que não escrevi. Na internet, eu sou machista, gay, idiota, corno e fascista. É bonito isso?
Fonte: portalodia.com 

Porém, não era isso que eu estava procurando, bem pelo contrário, eu nem sabia que ele não gostava do twitter. Eu era seu seguidor. Agora, eu tenho as minhas dúvidas se o twitter desaparecido era dele mesmo.
Entretanto, encontrei a explicação no site do Jornal do Commercio de Pernambuco:

Twitter de Arnaldo Jabor é hackeado

Perfil do jornalista foi invadido por grupo britânico
Publicado em 19/08/2011, às 15h11
Do JC Online

O perfil do jornalista Arnaldo Jabor no Twitter foi hackeado na tarde desta sexta-feira (19). Os responsáveis pela invasão foram hackers do grupo Script Kiddies, da Inglaterra. Além de sequestrar a página de Jabor no microblog, eles invadiram e alteraram a senha de sua conta de e-mail. Os dados contendo as senhas do Gmail do jornalista e de uma outra jornalista da FSB Comunicação, foram postos online para download. A conta de Jabor no Twitter já foi bloqueada.

O termo script kiddie é usado na subcultura hacker para designar um novato que utiliza programas prontos para realizar ataques simples. O nome do grupo pode ser uma resposta à declaração do Departamento de Segurança dos Estados Unidos, que no início do mês disse em nota que a maioria dos Anonymous não passava de script kiddies. Em seu perfil no Twitter eles afirmam serem apoiadores do grupo Anonymous, mas que "ocasionalmente  hcakeiam só pela diversão".

Contudo, tirem suas próprias conclusões.
Marlon M4
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