sábado, 3 de novembro de 2012

O Barbeiro que nunca cortou o meu cabelo



E num instante, eu consegui viajar no tempo, sem viajar no espaço. Mas, eu viajei para um tempo próximo e vi pessoas não tão próximas assim. Vi inimigos misturados a “amigos” e, então, eu cheguei e me sentei com eles, ali conversamos e compartilhamos... E a lucidez parecia ter me deixado, parecia ter ido para um lugar de onde eu não mais podia ouvi-la. Louco como uma criança, eu continuei a minha viagem. Os fantasmas e as pessoas por vezes tentaram me assombrar e reascender os meus temores. Mas, desta vez, eu não os temeria, pois eu não temia mais nada! Eu tinha plena consciência deles e os reconhecia. Logo, eles iam caindo um a um. Eles não tinham forças contra a minha coragem.

E quando dei por mim, estava num lugar familiar e num tempo mais passado ainda, no início do meu tudo. Ali, eu vi as portas e entrei, eu vi os cômodos e os explorei, eu ouvi as pelúcias e não chorei. Eu vi as janelas alaranjadas... As fechadas, eu abri e as abertas, eu fechei. Elas gritaram! Mas, eu as ignorei. Finalmente, eu podia fazer isso, naquele momento.

Eu via os objetos e os utensílios da área de serviço, intactos!  Então, eu vivi de novo com os meus pais e nós éramos uma família. Então, eu senti saudade de tudo aquilo que não havia vivido, nem mesmo conhecido.

Ao sair daquele fantástico apartamento do térreo, com suas janelas abóbora, na Terceira Etapa vi muitas pessoas. Tentava de todo modo reconhecê-las, mas não podia. Elas não eram do meu tempo, e também nunca foram do meu espaço! Elas não eram de espaço nenhum e muito menos do tempo presente. Eram apenas hipóteses bizarras forjadas pela minha loucura. Pessoas criadas e interseções espaço-temporais possíveis nessa minha viagem rumo ao esquecimento. Uma verdadeira explosão demográfica de vizinhos de todos os tipos e o barbeiro que nunca cortou o meu cabelo.

Marlon M4
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